Aos 100 anos, morre em Cuiabá Lavínia Fernandes




Dona LavíniaFaleceu na tarde de hoje, em Cuiabá, a pioneira de Campo Verde Lavínia Borges Fernandes. Filha de Zeca Camilo Fernandes, que chegou à região em 1886, vindo de Minas Gerais, Dona Lavínia, nasceu na Fazenda Deputado, que pertencia a seu pai, em 1914. Em dezembro ela completaria 101 anos.

Devota de Nossa Senhora da Abatia, a idade não a impedia de participar, todos os anos, da festa em homenagem à santa, realizada no mês de agosto, na Fazenda Felicidade. Com uma memória prodigiosa, lembrava fatos importantes ocorridos na região onde hoje é o município de Campo Verde.

Um desses fatos históricos foi a passagem da Coluna Prestes, movimento de cunho político-social liderado por Luiz Carlos Prestes, Miguel Costa, João Alberto e Siqueira Campos. No final de 1926, já seguindo em direção à Bolívia, onde buscavam exílio, os últimos integrantes da Coluna, liderados por Siqueira Campos, passaram pela Fazenda Deputado.

Dona Lavínia, que à época era apenas uma meninota com pouco mais de 10 anos, contava que, assustada, sentou-se no joelho de Siqueira Campos e ouviu dele uma canção que falava de um galo com bico dourado. Mesmo perto dos 100 anos ela ainda se lembrava de todos os versos da cantiga.

A passagem da Coluna, conforme contava Dona Lavínia, foi de medo e terror para os moradores da região. Ela lembrava que durante os dias em que os revoltosos, como eram chamados os integrantes da Coluna, permaneceram na propriedade de seu pai, houve muita destruição, com o gado sendo abatido e a produção agrícola destruída.

Alegre e sempre de bem com a vida, Dona Lavínia, depois de Nossa Senhora da Abadia, era o centro das atenções de todos que participavam da festa em louvor à santa. Com os cabelos brancos, o rosto enrugado, o corpo um pouco arqueado pelo peso dos anos, a velha senhora tinha o espírito jovem e uma resposta, às vezes irônica, a todas as perguntas. Era ela o ponto de convergência dos integrantes da família, que, jovens ou velhos, a tratavam com veneração e respeito. Vá em paz, Dona Lavínia. (Valmir Faria)

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