Mateadas culturais ajudam a manter as tradições sulistas




Campo Verde, assim como vários outros municípios de Mato Grosso, foi colonizado a partir dos anos de 1960 por migrantes vindos da região Sul do Brasil – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e que no Centro-oeste passaram a ser chamados de gaúchos, independente do estado de origem.

Esses pioneiros que desbravaram o cerrado e transformaram Mato Grosso, tanto no aspecto social quanto no econômico, trouxeram com eles suas crenças, seus hábitos e costumes que juntos se transformaram em tradição.

Em Campo Verde essa tradição está sendo mantida através das “mateadas” e das invernadas culturais, onde a dança, a música, o chimarrão e as vestimentas amenizam a saudade dos mais velhos e despertam nos mais novos o amor pela cultura de seus antepassados.

No último domingo (22), toda essa manifestação cultural tipicamente sulista pôde ser vista na Praça João Paulo II, durante a 11ª Mateada Cultural promovida pelo Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Campo Verde e que contou com as invernadas artísticas “Espora de Prata” e “Alma e Tradição”, além da participação da invernada do CTG Porteira da Amizade, de Jaciara, e da apresentação de capoeira com o Grupo Abadá, de Campo Verde.

Gaúcho radicado no Mato Grosso desde 1980, Valmir Maffi, que já morou em Campo Verde mas atualmente tem residência em Jaciara, aprova a iniciativa do Departamento de Cultura em realizar as mateadas. “Eu penso que não pode morrer a tradição”, diz ele.

E para que esses costumes não morram ou não caiam no esquecimento, Maffi incentiva os filhos a participar das invernadas. Ele também destacou o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Cultura. “Campo Verde está de parabéns. É a primeira vez que estou assistindo a apresentação deles, que é excelente”.

Filho de sulista, nascido em Rondônia e atualmente morando em Campo Verde, Almir Abade (16) integra a Invernada Cultural Espora de Prata. Sua participação, assim como a de muitos mato-grossenses filhos de gaúchos, ajuda a manter viva a tradição, como quer o passo-fundense Valmir Maffi.

Apesar da pouca idade, Abade tem consciência da importância de não deixar os costumes de seus antepassados acabar. “É importante preservar a tradição”, diz. “É uma tradição boa e que deve ser mantida”, disse ele.

Além de assistir as danças gauchescas, o público que prestigia as mateadas tem ainda a oportunidade de saborear o chimarrão e colocar a conversa em dia, onde o tema, invariavelmente, é o Sul. Ou a saudade dele.

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