Assistência Social lança campanha visando envolver os homens no combate a violência contra as mulheres
Autor: Valmir Faria
Com o lema: “A mudança começa em nós feminicídio não é apenas problema delas”, a Secretaria de Assistência Social e Habitação de Campo Verde lançou na tarde da última sexta-feira (12), uma campanha de combate à violência contra as mulheres.
Este ano, conforme explicou a secretária e primeira-dama Rosilei Pereira Borges de Oliveira, a proposta é envolver os homens de forma mais efetiva na luta contra a violência doméstica, que, em muitos casos, termina em feminicídio.
Os números assustam. Segundo a Polícia Militar, 7 em cada 10 ocorrências envolvem violência doméstica. Os casos se acentuam nos finais de semana. “Infelizmente essa é uma realidade não só do nosso município. A violência doméstica tem sido alarmante, tem crescido a cada dia e nós, com o conhecimento dessa pauta e com a responsabilidade que temos enquanto Poder Público, estamos lançando essa campanha para que nós possamos, nesse período de festividades, falar e trazer ao conhecimento das pessoas o que é a violência contra a mulher, quais são os atos que são considerados violência para que nós possamos juntos erradicar [ou]diminuir esses números”, disse ela.
Apesar do número de casos ser alarmante, nem todas as mulheres vítimas de violência procuram ajuda. Durante todo este ano, 142 mulheres procuraram a Secretaria de Assistência Social em busca de ajuda. Por outro lado, a secretária e primeira-dama, aponta que está havendo um aumento no número de denúncias.
“Infelizmente, a violência doméstica é cultural. Sempre existiu e nunca houve tanto incentivo, tanta divulgação, tanto trabalho, nunca se falou tanto em violência contra a mulher como tem se falado nos últimos tempos. Então eu acredito que essas campanhas têm sim incentivado as mulheres a falarem”, avaliou.
Ela ressaltou que apesar do trabalho de conscientização que vem sendo feito ao longo dos anos, a violência contra as mulheres ainda é banalizada. “Nós presenciamos situações onde os homens têm, de forma muito covarde, agredido as mulheres à luz do dia, em qualquer lugar e isso não pode acontecer. Precisamos estar atentos para que esses homens sejam punidos no rigor da Lei”, disse.
Rosilei salientou também que não são somente as agressões físicas que são consideradas violência familiar. “É por isso que a gente vem trazendo à tona essas campanhas: para que as pessoas saibam que violência psicológica dói tanto quanto a violência física”, enfatizou. “E que ela precisa sim ser denunciada”, completou.
A secretária frisou que os homens precisam assumir o protagonismo no combate à violência contra a mulher e que eles são fundamentais nesse processo. “Nós queremos que os homens nos ajudem. Nós sabemos que não são todos os homens que são agressores e nós convidamos todos vocês para que falem com o seu filho, com seu amigo, com seu vizinho, que vocês levem essa campanha para as rodas de conversas para que nós possamos conscientizar as pessoas que a mulher precisa ser cuidada, precisa ser amada e, acima de tudo, ela precisa ser respeitada”, enfatizou.
Apesar o cenário alarmante, a secretária lembrou que em Campo Verde, há mais de dois anos não é registrado um caso de feminicídio e defendeu que sejam aplicadas penas mais severas para os crimes de agressão física, psicológica ou patrimonial. “Eu acho que todo ato que é praticado, que você viola o direito de uma pessoa, precisa sim ser punido no rigor da Lei. E eu acredito que todo esse movimento que vem acontecendo no nosso país vai sim sensibilizar aqueles que são responsáveis pela criação das leis. A voz é uma só: Nós queremos que os agressores sejam punidos no rigor da lei e que toda mulher tenha liberdade para viver, tenha liberdade para se realizar enquanto mulher”, disse.
Durante o lançamento da campanha foi exibido um vídeo institucional sobre o tema e, em seguida, foi feita uma panfletagem nas Avenidas São Lourenço e Ulysses Guimarães. Denúncias de violência contra as mulheres podem ser feita pelo telefone 180 ou diretamente na Polícia Militar por meio do 190.