Em reunião com representantes da Rumo Logística, prefeito de Campo Verde ressalta que o município será a porta de entrada para o terminal da BR-070
Autor: Valmir Faria
O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira, ressaltou durante uma reunião com representantes da Rumo Logística os benefícios que a ferrovia Senador Vicente Emílio Vuollo e a construção do terminal da BR-70, trarão ao município.
A reunião aconteceu na sede da Cooperfibra e contou com a participação de diretores da cooperativa, representantes da Acicave/CDL, empresários, produtores rurais, dos vereadores Miguel de Paula e Zezinho da Farmácia, do secretário de Desenvolvimento Econômico, Henrique Soares e do Secretário de Planejamento, Clodoaldo Gomes Lima.
De acordo com o prefeito, devido ao seu posicionamento geográfico, sendo ponto convergente de importantes rodovias de Mato Grosso, como a BR-070, a MT-140 e a BR-163, que se conecta com 070 por meio da MT-140, Campo Verde será a grande “porta de entrada” para o terminal da Rumo.
Um estudo realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico aponta que por Campo Verde deverão passar em torno de 5,7 milhões de toneladas de soja e milho anualmente. Somente da região Médio-Norte serão 2,7 milhões de toneladas que, efetivamente, serão transportados pela MT-140, que liga Campo Verde a Nova Mutum e também à Sorriso, via MT-242.
Conforme salientou o prefeito Alexandre Lopes de Oliveira, a ferrovia, que era esperada não só por Campo Verde, mas pelo Estado e pela região, atrairá novos investimentos, principalmente no setor produtivo, e exigirá também investimentos em infraestrutura, especialmente na viária.
“Logicamente que o município vai ter que se precaver, nós vamos ter aí o recebimento gigantesco de cargas passando pelo nosso município. Nós temos que nos preparar para isso. Mas o benefício é gigantesco”, destacou.
Em relação ao aumento do número de caminhões e carros que circularão por Campo Verde com a conclusão do terminal, o prefeito adiantou que já foram realizados estudos visando mitigar os possíveis impactos. Entre os investimentos que deverão ser feitos estão a construção de um viaduto sobre a MT-140, no cruzamento com a Avenida Mato Grosso, e a implantação de um anel viário, desviando o trânsito para fora da área urbana.
“Esses projetos, essas demandas, dependem também do Governo do Estado. Mas isso são projetos de infraestrutura que vão minimizar os problemas de circulação [de veículos]. Afinal de contas nós estamos falando aí de mais de 5 milhões de toneladas que Campo Verde receberá para poder chegar até o terminal”, enfatizou Alexandre.
O prefeito salientou também que os investimentos necessários para a realização das obras necessárias estão sendo debatidos de forma intensa junto ao Governo do Estado para que sejam efetivados. “Para que a gente possa, nesse meio tempo, nos preparar e ir fazendo as coisas para que esse impacto possa ser reduzido e fazer com que, acima de tudo, tenha fluidez e segurança”, disse.
A previsão, de acordo com a Rumo, é que o terminal da BR-070 entre em operação no segundo semestre de 2026. Construído de forma modular, a instalação terá capacidade inicial para movimentar 10 milhões de toneladas/ano – quantidade que poderá ser ampliada de acordo com a necessidade – e de receber 700 caminhões diariamente. Para o início das operações, a previsão é que entre 250 e 300 postos de trabalho sejam criados. Na construção do terminal estão sendo empregados 850 trabalhadores diretamente e outros 1,7 mil indiretamente.
Conforme informou a empresa, a primeira etapa da construção da ferrovia, que terá também um ramal para Cuiabá, compreende um trecho de 162 quilômetros entre Rondonópolis e o terminal da BR-070. Desse total, 77% das obras estão concluídas e cerca de 60 quilômetros de trilhos já foram implantados.
A ferrovia, que terá ao todo 743 quilômetros, está sendo construída com recursos exclusivo da Rumo Logística, com investimento total de R$ 15 bilhões. No trecho em construção já foram investidos R$ 5 bilhões. A utilização do modal ferroviário visa otimizar o escoamento da produção e o recebimento de insumos e de produtos acabados, além de proporcionar economia.
“Quando a gente fala de ferrovia, um dos nossos objetivos é ser uma solução competitiva para a região”, afirmou o diretor comercial da Rumo Logística, Diogo Velloso, acrescentando que a modelagem de preços praticada pela empresa leva em conta o custo logístico total e que a economia em relação a outro tipo de modal de transporte pode chegar até a 10% dependendo da época do ano. Após a reunião, os participantes visitaram as obras do terminal.